terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Executiva do PT-SP discute calendário da Escola Nacional de Formação do PT

O presidente do PT-SP, deputado estadual Edinho Silva, recebeu nesta segunda (27) em reunião da Executiva Estadual a representante da coordenação da Escola Nacional de Formação do PT (ENFPT), Selma Rocha. O objetivo do encontro foi integrar a direção paulista do partido ao calendário de cursos de formação que ocorrerão em 2012 para candidatas(os). Selma explicou como está sendo estruturada a ENFPT, que no dia 31 de março fará o lançamento do Curso Nacional de Formação, com apresentação de todos os temas que serão abordados. O site da escola já está no ar em www.enfpt.org.br e receberá cadastro de interessados nos cursos à distância a partir de abril.O secretário estadual de Formação do PT-SP, Cid Marcondes, se comprometeu a articular os coletivos de gestoras(es) de formação em todo o estado, integrando as macrorregiões aos cursos nacionais. Os coletivos de formação são responsáveis pelos cursos presenciais e manterão diálogo permanente com gestoras(es) de todo o país, garantindo a continuidade de processos, independente das mudanças na direção partidária.O destaque de formação em 2012, segundo Selma, são os cursos para pré-candidatas(os) às eleições de 2012. O objetivo é que os participantes tenham atuação na pré-campanha condizente com os princípios norteadores do PT e fortalecer seu projeto político, em busca de hegemonia e enraizamento nos municípios, na perspectiva da consolidação no plano nacional.O curso terá conteúdo, roteiros e instrumentos disponibilizados no portal da Escola para estudo online, e por meio de DVDs que serão distribuídos pelas secretarias de formação dos estados e municípios, que realizarão as atividades presenciais.Selma ainda detalhou que os cursos terão foco nas políticas setoriais do PT e dos governos petistas, que podem ser implementados localmente. Além do curso, o site da ENFPT disponibilizará estatísticas, programas, serviços e obras públicas oferecidas pelo Governo Federal para cada localidade. Assim, pré-candidatas(os) e coordenadores de campanhas terão subsídios para seu trabalho de planejamento.Pauta setorialA reunião executiva do PT-SP também discutiu o andamento dos encontros setoriais. As mulheres farão seu encontro no dia 31 de março e estão mobilizando os coletivos nas macros para cadastrarem a participação local. Informaram ainda que no dia 8 de março, as mulheres se concentram às 14 horas na Praça da Sé para a realização de atos em frente a repartições públicas com centrais sindicais e partidos, por ocasião do Dia Internacional da Mulher.
Veja materia completa no Blog do Edinho Silva Presidente do PT Estadual

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Augusto Boal resumo


O Teatro do Oprimido tem centros espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Tem centro nos Estados Unidos, na França, no Rio de Janeiro, Santo André e Londrina.Augusto nasceu no Rio de Janeiro, filho de José Augusto Boal e Albertina Pinto. Aos 18 anos foi estudar Engenharia Química na Universidade do Brasil, hoje UFRJ, e paralelamente escrevia textos teatrais.Já na década de 1950 ao mesmo tempo em que realizava estudos em Engenharia Química, na Columbia University, em Nova York, estudava dramaturgia na School of Dramatics Arts.Quando retorna ao Brasil, passa a fazer parte do Teatro de Arena de São Paulo. A sua primeira direção é em Ratos e Homens.No ano de 2008, Augusto Boal foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, em virtude de seu tabalho com o Teatro do Oprimido. Já em março de 2009 foi nomeado pela Unesco embaixador do teatro.Boal faleceu neste ano de 2009 no dia 2 de maio, aos seus 78 anos, no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Samaritano, em Botafogo, no Rio de Janeiro. A morte foi causada por insuficiência respiratória. Boal sofria de leucemia.

Augusto Boal foi diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro, uma das grandes figuras no teatro contemporâneo internacional. Ele fundou o Teatro do Oprimido, que junta o teatro à ação social, as suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, mais destacadamente nas últimas três décadas do século XX, sendo bastante usadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política, mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional.O dramaturgo não é apenas conhecido por sua participação no Teatro de Arena da cidade de São Paulo, mas principalmente por suas teses do Teatro do Oprimido, que foram inspiradas nas propostas do educador educador Paulo Freire.Ele tem uma obra escrita expressiva, traduzida em mais de vinte línguas e as suas concepções são estudados nas principais escolas de teatro do mundo. O livro Teatro do oprimido e outras poéticas políticas tratam de um sistema de exercícios, jogos e técnicas de teatro-imagem, que, segundo o autor, podem ser usadas por todos e não só por atores.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Homenagem a José Candido comove Assembleia





Humildade e simplicidade. Serenidade. Respeito a amigos e adversários políticos. Solidariedade. Fidelidade. Ética. Defesa dos mais necessitados. Silêncio expressivo. Essas e outras palavras de reconhecimento pontuaram, na tarde desta terça-feira, 14/2, os discursos dos deputados estaduais paulistas na despedida ao parlamentar José Candido, falecido no domingo, 12/2, aos 69 anos. A sessão ordinária da tarde de terça-feira tomou feição especial, por iniciativa do presidente da Casa, Barros Munhoz, que em nome da Mesa Diretora da Assembleia, abriu espaço para que os parlamentares manifestassem sua emoção e solidariedade aos familiares e funcionários de Candido. Por concessão excepcional, a filha do parlamentar, Adriana de Sousa Candido Sálvio, pôde fazer um pronunciamento no plenário. Ela agradeceu as palavras de reconhecimento ao trabalho desenvolvido por "seu Candido", como o deputado era carinhosamente tratado, em defesa das minorias e dos direitos humanos. Adriana expressou sua homenagem ao pai, ao político e ao militante dos movimentos sociais. "Falar de José Candido", disse Adriana, "é falar de luta, de solidariedade, é celebrar a vida." Ela também enfatizou o desprendimento com que Candido atuou na política: "O poder nunca, nunca, nunca foi alvo desse homem, mas a garantia de que os direitos das pessoas fossem prevalecidos." Leia a íntegra do discurso de Adriana no quadro. O presidente Barros Munhoz destacou a unanimidade da opinião na Casa em relação a José Candido: "Todos os 93 deputados, os que estiveram e os que não puderam participar (da sessão), todos ficamos abalados com sua morte. E queremos prestar nossa solidariedade à família, a Suzano e à população pobre que ele sempre defendeu." O presidente disse também que poucas pessoas o impressionavam, em seus discursos, como o fez o deputado José Candido: "O que José Candido falava sobre os trabalhadores rurais ainda está na minha memória, porque ele falava com o coração. Em sua simplicidade, falava com autoridade, com altivez. Podia-se aproveitar tudo o que ele falava." O adeus dos companheiros "Seu jeito humilde, simples, dava o tamanho do seu ser humano, sua história de origem na roça, quando era conhecido como Zé do Brejo". " Enio Tatto, líder do PT. "Ele deixou uma vida parlamentar maravilhosa e também um grande trabalho como exemplo, a sua plena dedicação às pessoas mais humildes e também ao Parlamento." " Ed Thomas, líder do PSB. "O deputado José Candido era um homem de bem na acepção da palavra. Sabia falar sem agredir ou desmerecer qualquer pessoa." " Edinho Silva (PT). "Ele foi muito importante ao longo desses anos. Agora, José Candido está intercedendo, orando por todos nós." " Rita Passos, líder do PSD. "José Candido é dos mortos que não morrem. Muito obrigado a você (Candido)." " Marcos Martins (PT). "Sinto falta do deputado guerreiro, honesto, um grande homem público que sempre cumpriu suas promessas." " Jooji Hato (PMDB). "Lembro que, em uma sessão, lhe disse: Estou cansado. E ele me respondeu com sua simplicidade característica: "Eu também estou cansado, por quem quer a coisas do bem, se cansa mais de que quem não se importa"". " Pedro Bigardi, líder do PCdoB. "Lutador de boas causas, dedicou uma vida inteira à política. Aprendi com ele e com a sua experiência de vida. Ele nos adotou como filhos, um grande exemplo." " Vanessa Damo (PMDB). "O legado que José Candido deixa nesta Casa é a mesma semente que deixou por onde passou." " Orlando Morando, líder do PSDB. "Ele saiu desta vida e deixou um legado e a saudade, mas sua história perdurará em nossas vidas sempre." " José Bittencourt (PSD). "José Candido era a candura que virava bravura, quando precisava. Ele tinha a mais incrível das coragens políticas: candura, o silêncio e, mais que tudo, a força do caráter." " Telma de Souza (PT). "Todas as homenagens feitas e as que ainda o serão não são suficientes para demonstrar o significado valoroso da carreira política que ele teve." " Alex Manente, líder do PPS. "Fui seu vizinho de gabinete e aprendi a conhecer a tranquilidade de espírito que transmitia a todos. Aprendi a valorizar sua postura isenta, transparente, mas enérgica." " Olimpio Gomes, líder do PDT. Áudio da música Silêncio no Bexiga, de Geraldo Filme, na voz de Beth Carvalho: "O sambista está dormindo / Ele foi, mas foi sorrindo / A notícia chegou quando anoiteceu/ Escolas, eu peço silêncio de um minuto / O Bexiga está de luto/ O Apito de Pato D"água emudeceu, partiu/ Não tem placa de bronze, não fica na história/ Artista de rua morre sem glória / Depois de tanta alegria que ele nos deu / E assim um fato se repete de novo / Sambista de rua, artista do povo / E é mais um que foi sem dizer adeus." " Adriano Diogo (PT). "Isto vou levar para sempre: seu trabalho pelos mais necessitados, sua dedicação integral, seu bom caráter e sua amizade." " Hélio Nishimoto (PSDB). "Quero enfatizar que a vida é o maior dom que Deus nos deu, e a de José Candido, assim como sua trajetória e carreira, foi repleta de leveza e amor." " Célia Leão (PSDB). "Peço a Deus que meu filho encontre em seu caminho amigos como José Candido." " Marco Aurélio (PT). "Foi um privilégio conviver com ele. Hoje ele demonstra que é ainda mais especial, pois estamos reunidos em torno de sua memória para prestar essa homenagem." " Hamilton Pereira (PT). Pereira prestou homenagem a Candido também em nome do Conselho Parlamentar de Cultura de Paz (Conpaz), onde ambos atuavam. "Foi como um pai para mim aqui na Assembleia. Ele transformava a vida das pessoas, nem que fosse com uma palavra." " Ana do Carmo (PT). "Convivemos com ele menos de um ano, mas o conhecemos no seu modo peculiar de ser, falar e defender ideias." " Ulisses Tassinari (PV). "Não media esforços para prestar solidariedade. Era a vida dele: caridade e solidariedade." " João Antonio (PT). "O legado do amigo José Candido será lembrado e sempre praticado." " Donisete Braga (PT). "Simbolizava o político com valores como ética, compromisso social, defesa dos mais pobres. Este é o seu maior legado." " Simão Pedro (PT). "No dia a dia da política deu para perceber (com ele) a serenidade e, ao mesmo tempo, a firmeza, a coragem, a determinação." " Alencar Santana (PT). "Na maturidade de certas pessoas, vemos que é possível fazer tudo isso (na vida), sem perder os valores da simplicidade e da garra." " Samuel Moreira, líder do Governo. "Seu Candido era um espelho para mim. Ele foi o maior exemplo de convivência. Sabíamos que podíamos contar com ele." " José Zico Prado (PT). "Exemplo de homem, de ética. Nós sabemos que homem foi seu Candido." " Luiz Carlos gondim (PPS). "Seu José Candido podia andar de cabeça erguida na rua em que morava, o que é muito difícil em um homem público." " Ana Perugini (PT). "As pessoas não morrem, ficam encantadas. Seu Candido estará sempre conosco." " Carlos Giannazi, líder do PSOL, citando Guimarães Rosa. "O melhor que deixamos é nosso legado. José Candido deixou (um). Somos gratos pelos 69 anos que nos deu." " Carlos Cézar (PSB). "O Parlamento também é um lugar de fazer amigos. Vimos ontem quantos amigos ele fez." " Luiz Cláudio Marcolino (PT). "O deputado José Candido ressuscitou. Se olharmos para nós, vamos chorar, mas se olharmos para ele, ficaremos felizes, porque ele vive." " Reinaldo Alguz (PV). "Nestes cinco anos aprendi a admirar e a me apaixonar pela figura humana de seu Candido." " Antonio Mentor (PT).

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Quarta carta às esquerdas


A direita só se interessa pela democracia na medida em que esta serve aos seus interesses. Por isso, as esquerdas são hoje a grande garantia do resgate da democracia. Estarão à altura da tarefa? Terão a coragem de refundar a democracia para além do liberalismo? Uma democracia anticapitalista ante um capitalismo cada vez mais antidemocrático?

Boaventura de Sousa Santos

As divisões históricas entre as esquerdas foram justificadas por uma imponente construção ideológica mas, na verdade, a sua sustentabilidade prática—ou seja, a credibilidade das propostas políticas que lhes permitiram colher adeptos—assentou em três fatores: o colonialismo, que permitiu a deslocação da acumulação primitiva de capital (por despossessão violenta, com incontável sacrifício humano, muitas vezes ilegal mas sempre impune) para fora dos países capitalistas centrais onde se travavam as lutas sociais consideradas decisivas; a emergência de capitalismos nacionais com características tão diferenciadas (capitalismo de estado, corporativo, liberal, social-democrático) que davam credibilidade à ideia de que haveria várias alternativas para superar o capitalismo; e, finalmente, as transformações que as lutas socias foram operando na democracia liberal, permitindo alguma redistribuição social e separando, até certo ponto, o mercado das mercadorias (dos valores que têm preço e se compram e se vendem) do mercado das convicções (das opções e dos valores políticos que, não tendo preço, não se compram nem se vendem). Se para algumas esquerdas tal separação era um fato novo, para outras, era um ludíbrio perigoso.

Os últimos anos alteraram tão profundamente qualquer destes fatores que nada será como dantes para as esquerdas tal como as conhecemos. No que respeita ao colonialismo as mudanças radicais são de dois tipos. Por um lado, a acumulação de capital por despossessão violenta voltou às ex-metrópoles (furtos de salários e pensões; transferências ilegais de fundos colectivos para resgatar bancos privados; impunidade total do gangsterismo financeiro) pelo que uma luta de tipo anti-colonial terá de ser agora travada também nas metrópoles, uma luta que, como sabemos, nunca se pautou pelas cortesias parlamentares. Por outro lado, apesar de o neocolonialismo (a continuação de relações de tipo colonial entre as ex-colónias e as ex-metrópoles ou seus substitutos, caso dos EUA) ter permitido que a acumulação por despossessão no mundo ex-colonial tenha prosseguido até hoje, parte deste está a assumir um novo protagonismo (India, Brasil, Africa do Sul, e o caso especial da China, humilhada pelo imperialismo ocidental durante o século XIX) e a tal ponto que não sabemos se haverá no futuro novas metrópoles e, por implicação, novas colónias.

veja materia completa no http://cartamaior.com.br

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

LEON TRÓTSKY

Leon Trótski (Ianovka, 7 de novembro de 1879 — Coyoacán, 21 de agosto de 1940) foi um intelectual marxista e revolucionário bolchevique, fundador do Exército Vermelho e rival de Stalin na tomada do PCUS à morte de Lenin.
Seu nome em ucraniano é Лев Давидович Троцький, que pode ser transliterado comoLev Davidóvitch Trótskii. Todavia, seu verdadeiro sobrenome era Bronstein (Бронштейн). Pelo calendário juliano, utilizado nos países de tradição ortodoxa, nasceu em 26 de outubro de 1879.
Nos primeiros tempos da União Soviética desempenhou um importante papel político, primeiro como Comissário do Povo (Ministro) para os Negócios Estrangeiros; posteriormente como criador e comandante do Exército Vermelho, e fundador e membro do Politburo do Partido Comunista da União Soviética.
Afastado por Stalin (ou Estaline) do controle do partido, Trótski foi expulso deste e exilado da União Soviética, refugiando-se no México, onde veio a ser assassinado por Ramón Mercader, agente da polícia de Stalin. As suas idéias políticas, expostas numa obra escrita de grande extensão, deram origem ao trotskismo, corrente ainda hoje importante no marxismo.
Primeiros Anos
Trótski nasceu numa pequena localidade do óblast de Kherson na atualUcrânia, sendo o quinto filho de Anna (1850 - 1910) e David Leontyevish Bronstein ou Bronshtein (1847 - 1922), um humilde lavrador de origemjudaica que havia aproveitado os esquemas de colonização tsaristas naCrimeia para abandonar a área tradicional de residência autorizada aos judeus (o "pálio") e converter-se num próspero, ainda que iletrado, fazendeiro.
Embora a família fosse de origem judaica, não era religiosa; em casa, falava-se russo ou ucraniano e nãoiídiche. Aos 9 anos, foi paraOdessa, a fim de prosseguir seus estudos numa escola tradicional alemã que, ao longo dos anos em que Trótski ali permaneceu, passou pelo processo de russificação, conforme a política czarista da época.
Um bom aluno, Trotski revelava já um temperamento de líder, organizando um protesto contra um professor impopular no 2º ano. Não mostrou, contudo, grande interesse pela política nem pelosocialismo até 1896, quando se mudou para Nikolaev, onde cumpriu seu último ano de estudos secundários. Posteriormente cursou Matemática por um breve período na Universidade Nacional de Odessa.
Sua irmã Olga viria a se casar com Lev Kamenev, um dos principais líderes bolcheviques e membro do triunvirato liderado por Stálin, que afastaria o próprio Trótski do poder, sendo também afastado posteriormente.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Biogradfia de Florestan Fernandes


Biografia

Segundo seus próprios relatos, Florestan Fernandes enfrentou, ainda criança, enormes dificuldades para estudar. Filho de mãe solteira, não conheceu o pai. Começou a trabalhar, como auxiliar numa barbearia, aos seis anos. Também foi engraxate. Estudou até o terceiro ano do primeiro grau. Só mais tarde, voltaria a estudar, fazendo curso de madureza, estimulado por frequentadores do bar Bidu, no centro de São Paulo, onde trabalhava como garçom. Em 1941, ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, formando-se em ciências sociais. Iniciou sua carreira docente em 1945, como assistente do professor Fernando de Azevedo, na cadeira de Sociologia II. Na Escola Livre de Sociologia e Política, obteve o título de mestre com a dissertação "A organização social dos Tupinambá". Em 1951, defendeu, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, a tese de doutoramento "A função social da guerra na sociedade tupinambá", posteriormente consagrado como clássico da etnologia brasileira, que explora com maestria o método funcionalista.

Uma linha de trabalho característica de Florestan nos anos 50 foi o estudo das perspectivas teórico-metodológicas da sociologia. Seus ensaios mais importantes acerca da fundamentação da sociologia como ciência foram, posteriormente, reunidos no livro "Fundamentos empíricos da explicação sociológica". Seu comprometimento intelectual com o desenvolvimento da ciência no Brasil, entendido como requisito básico para a inserção do país na civilização moderna, científica e tecnológica, situa sua atuação na Campanha de Defesa da Escola Pública, em prol do ensino público, laico e gratuito enquanto direito fundamental do cidadão do mundo moderno.

Durante o período, foi assistente catedrático, livre docente e professor titular na cadeira de Sociologia, substituindo o sociólogo e professor francês Roger Bastide em caráter interino até 1964, ano em que se efetivou na cátedra, com a tese "A integração do negro na sociedade de classes". Como o título da obra permite entrever, o período caracteriza-se pelo estudo da inserção da sociedade nacional na civilização moderna, em um programa de pesquisa voltado para o desenvolvimento de uma sociologia brasileira. Nesse âmbito, orientou dezenas de dissertações e teses acerca dos processos de industrialização e mudança social no país e teorizou os dilemas do subdesenvolvimento capitalista. Inicialmente no bojo dos debates em torno das reformas de base e, posteriormente, após o golpe de Estado, nos termos da reforma universitária coordenada pelos militares, produziu diagnósticos substanciais sobre a situação educacional e a questão da universidade pública, identificando os obstáculos históricos e sociais ao desenvolvimento da ciência e da cultura na sociedade brasileira inserida na periferia do capitalismo monopolista.

Aposentado compulsoriamente pela ditadura militar em 1969, foi Visiting Scholar na Universidade de Columbia, professor titular na Universidade de Toronto e Visiting Professor na Universidade de Yalee, a partir de 1978, professor na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em 1975, veio a público a obra "A revolução burguesa no Brasil", que renova radicalmente concepções tradicionais e contemporâneas da burguesia e do desenvolvimento do capitalismo no país, em uma análise tecida com diferentes perspectivas teóricas da sociologia, que faz dialogar problemas formulados em tom Max Webercom interpretações alinhadas à dialética marxista. No inicio de 1979, retornou a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, agora reformada, para um curso de férias sobre a experiência socialista em Cuba, a convite dos estudantes do Centro Acadêmico de Ciências Sociais. Em suas análises sobre o socialismo, apropriou-se de variadas perspectivas do marxismo clássico e moderno, forjando uma concepção teórico-prática que se diferencia a um só tempo do dogmatismo teórico e da prática de concessões da esquerda. Em 1986 e em 1990, foi eleito deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores. Tendo colaborado com a Folha de S. Paulo desde a década de 40, passou, em junho de 1989, a ter uma coluna semanal nesse jornal.

O nome de Florestan Fernandes está obrigatoriamente associado à pesquisa sociológica no Brasil e na América Latina. Sociólogo e professor universitário, com mais de cinquenta obras publicadas, ele transformou o pensamento social no país e estabeleceu um novo estilo de investigação sociológica, marcado pelo rigor analítico e crítico, e um novo padrão de atuação intelectual.

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que foi orientado em seus trabalhos acadêmicos por Florestan, estabeleceu com ele forte relação afetiva, mantida até a morte do sociólogo.

Florestan, com graves problemas no fígado, em 1995, submeteu-se a um transplante de fígado mal sucedido na Hospital das Clínicas de São Paulo, realizado pelo professor Silvano Raia. Morreu pouco após a cirurgia.


Fonte Wikipedia